A partir de fevereiro de 2025, o modelo de saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) passa a oferecer uma nova opção para os trabalhadores. Agora, quem escolher essa modalidade poderá resgatar o saldo total do fundo em caso de demissão sem justa causa, sem perder o direito aos saques anuais.
A mudança elimina uma das principais críticas ao sistema anterior, que limitava o acesso ao valor integral apenas à multa rescisória de 40%.
A atualização atende a uma demanda de aproximadamente 37 milhões de brasileiros que aderiram ao saque-aniversário desde sua implementação, em 2019. A nova regra amplia a flexibilidade para uso do FGTS, sem comprometer seu papel como reserva financeira emergencial.
Assim, o governo federal visa adaptar o fundo à realidade econômica atual, marcada por pressões inflacionárias e aumento no custo de vida, além de estimular o consumo e incentivar setores importantes como o comércio e serviços.
O que muda no saque-aniversário

Desde que foi implementado, o saque-aniversário permitia que o trabalhador retirasse, anualmente, uma parte do saldo do FGTS no mês do seu aniversário.
Porém, ao optar por esse modelo, o trabalhador perdia a possibilidade de sacar o valor total em caso de demissão sem justa causa — mantendo apenas o direito à multa de 40% sobre os depósitos do empregador.
Esse formato impunha uma decisão complicada para muitos trabalhadores, principalmente num contexto de instabilidade no mercado de trabalho.
Com a atualização prevista para 2025, essa restrição será eliminada. O novo sistema assegura que, mesmo com a opção pelo saque-aniversário, o trabalhador poderá sacar todo o saldo do FGTS em caso de demissão.
A adesão continuará sendo opcional, podendo ser feita pelo aplicativo do FGTS ou pelo site da Caixa Econômica Federal. Para quem já está inscrito, a mudança será implementada de forma automática, sem que seja necessário novo cadastro.
Como funcionam os valores
O montante disponível para saque é definido por uma tabela progressiva, que leva em conta o saldo total nas contas vinculadas ao FGTS. Os percentuais vão de 50% para saldos de até R$ 500 a 5% para valores acima de R$ 20 mil, acrescidos de uma quantia fixa.
Por exemplo, um trabalhador com saldo de R$ 2 mil poderá sacar 30% (R$ 600), mais uma parcela fixa de R$ 200, totalizando R$ 800. Em contraste, para um saldo de R$ 50 mil, o saque será de 5% (R$ 2.500), acrescido de R$ 2.900, somando R$ 5.400.
A tabela é estruturada para beneficiar quem tem valores menores, liberando uma fração maior do saldo. O saque pode ser feito por transferência automática para a conta bancária informada pelo trabalhador ou presencialmente em agências, casas lotéricas e terminais de autoatendimento.
Benefícios para o planejamento financeiro

Com a nova regra, o saque-aniversário se torna uma ferramenta de gestão financeira mais eficaz. A possibilidade de retirar parte do FGTS todo ano ajuda a cobrir despesas sazonais, pagar dívidas ou fazer pequenos investimentos, sem perder o direito de sacar o valor integral em caso de demissão. Em um contexto de juros elevados, essa opção pode ser mais vantajosa que recorrer a empréstimos.
Pesquisas recentes indicam que seis em cada dez brasileiros enfrentam dificuldades para equilibrar gastos e renda. Para esse grupo, o acesso periódico ao FGTS pode significar um alívio financeiro importante no orçamento familiar.
Para quem tem um perfil mais planejado, os valores podem ser usados para qualificação profissional, reformas na casa ou até para abrir um negócio próprio.
Efeitos na economia e no mercado de trabalho
Com maior liberdade para utilizar o FGTS, espera-se um crescimento do consumo interno. Em 2023, o fundo movimentou R$ 704,3 bilhões em diferentes áreas. Essa flexibilização deve ajudar a manter a economia ativa, beneficiando setores como varejo, serviços e construção civil.
Utilizar o FGTS como alternativa ao crédito bancário pode contribuir para reduzir o endividamento das famílias, problema que atinge mais de 70 milhões de brasileiros.
No mercado de trabalho, essa medida pode incentivar a mobilidade profissional, ao garantir mais segurança para quem pensa em trocar de emprego ou buscar novas oportunidades.
Para o governo, o novo formato preserva o equilíbrio do fundo, que segue sendo uma das principais fontes de recursos para habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana.
Cronograma de saques para 2025
O saque-aniversário mantém o calendário tradicional, com datas que variam conforme o mês de nascimento. Veja abaixo:
- Janeiro: 2 de janeiro a 31 de março
- Fevereiro: 3 de fevereiro a 30 de abril
- Março: 13 de março a 31 de maio
- Abril: 1º de abril a 30 de junho
- Maio: 2 de maio a 31 de julho
- Junho: 2 de junho a 31 de agosto
- Julho: 1º de julho a 30 de setembro
- Agosto: 1º de agosto a 31 de outubro
- Setembro: 1º de setembro a 30 de novembro
- Outubro: 1º de outubro a 31 de dezembro
- Novembro: 3 de novembro a 31 de janeiro de 2026
- Dezembro: 1º de dezembro a 27 de fevereiro de 2026
Para aderir ao saque-aniversário, é necessário solicitar até o último dia do mês do aniversário. Caso contrário, a opção só poderá ser feita no próximo ano.
Os valores que não forem retirados dentro do prazo retornam automaticamente para a conta do FGTS, com rendimento anual de 3% mais TR.
Cuidados importantes
Embora ofereça benefícios, aderir ao saque-aniversário requer análise cuidadosa. Quem prefere preservar o FGTS como uma reserva financeira pode continuar com o saque-rescisão, que libera o saldo total apenas em casos de demissão sem justa causa.
É importante lembrar que, para voltar ao saque-rescisão depois de optar pelo saque-aniversário, é preciso cumprir um período de carência de 25 meses.
É essencial avaliar o perfil financeiro individual, a estabilidade no emprego e os objetivos para médio e longo prazo. Utilizar os recursos com planejamento ajuda a preservar a segurança financeira futura.